Delivery próprio vs. iFood: a conta real
Fizemos a conta: comissão, taxa de entrega, frota e ferramentas. Veja em que ponto o delivery próprio passa a compensar de verdade.
Equipe OtimizaRota
17 de julho de 2026
"O iFood leva quase 30% do meu pedido, mas se eu sair, perco os clientes." É o dilema mais comum de quem vende comida ou produto com entrega no Brasil. E ele quase sempre é debatido no achismo. Então vamos fazer o que quase ninguém faz: a conta real, com números, dos dois lados.
Neste artigo você vai ver quanto custa depender do iFood, quanto custa montar o delivery próprio e — o mais importante — o ponto em que a balança vira. Sem torcida: com planilha.
O que o iFood realmente cobra
A conta do iFood não é só a comissão. Somando o que aparece na fatura, o custo por pedido costuma ter:
- Comissão sobre o pedido — na faixa de 12% a 30%, dependendo do plano (com ou sem entrega pela frota deles).
- Taxa de entrega quando você usa a logística da plataforma.
- Taxa de pagamento online sobre o valor transacionado.
- Investimento em destaque/anúncios para não sumir na busca.
Num pedido médio de R$ 60, não é raro o custo total ficar entre R$ 12 e R$ 20 — ou seja, 20% a 33% do ticket indo embora antes de pagar o produto.
O que o delivery próprio realmente custa
Do outro lado, o delivery próprio não é de graça — e fingir que é seria desonesto. Os custos reais:
- Entregador (CLT, freela ou por entrega).
- Veículo — combustível, manutenção, depreciação.
- Ferramenta de roteirização e rastreamento para não virar caos.
- Seu tempo organizando as rotas (a menos que uma ferramenta faça).
O bloco de veículo + entregador você calcula com o guia de quanto custa uma entrega. No exemplo de lá, uma entrega saía por volta de R$ 13,60.
A conta lado a lado
Vamos comparar os dois no mesmo pedido de R$ 60, num cenário realista de operação com volume:
| Item | Via iFood | Delivery próprio |
|---|---|---|
| Comissão / taxas da plataforma | R$ 15,00 (25%) | R$ 0 |
| Custo de entrega (veículo + tempo) | incluso na taxa | R$ 13,60 |
| Ferramenta (rateada por pedido) | R$ 0 | ~R$ 0,50 |
| Custo total do pedido | R$ 15,00 | R$ 14,10 |
| Sobra sobre o frete/comissão | — | ~R$ 0,90/pedido |
À primeira vista, empata. Mas é aqui que a análise rasa engana — porque os dois lados não entregam a mesma coisa.
O que a conta simples não mostra
Três fatores mudam o resultado de verdade:
1. Densidade de entrega
No iFood, cada pedido é uma entrega isolada. No delivery próprio bem roteirizado, um motoboy leva várias entregas na mesma saída — e o custo de R$ 13,60 se dilui. Com 3 entregas por rota, o custo por pedido despenca. É exatamente o efeito da roteirização: a mesma volta, mais entregas.
2. O dono do cliente
No iFood, o cliente é da plataforma. Você não tem o contato, não faz remarketing, não fideliza direto. No delivery próprio, o cliente é seu — e o custo de recomprar cai a cada pedido.
3. A dependência
Depender 100% de uma plataforma é risco. Preço de comissão sobe, regra muda, e você não tem alternativa. Foi sobre isso que escrevemos você não está preso no iFood, está preso na roteirização.
Então, quando o delivery próprio compensa?
Pela conta real, o delivery próprio vira a escolha melhor quando:
- Você tem volume e densidade — pedidos suficientes para agrupar entregas por região.
- Consegue roteirizar para colocar 2, 3 ou mais entregas por rota.
- Quer ser dono da relação com o cliente e reduzir a dependência.
E o iFood continua fazendo sentido como canal de aquisição — para ser achado por quem ainda não te conhece. A resposta madura raramente é "8 ou 80": é usar o iFood para captar e o delivery próprio para os clientes recorrentes, onde a margem mora.
Resumo
Na conta simples de um pedido isolado, iFood e delivery próprio quase empatam. A diferença aparece na densidade (várias entregas por rota derrubam o custo próprio), na posse do cliente e na redução de dependência. Quem tem volume e roteiriza bem faz o delivery próprio compensar — sem precisar abandonar o iFood, mas deixando de ser refém dele.
O OtimizaRota é a peça que falta pra isso: agrupa as entregas, otimiza a rota e dá rastreamento pro cliente — o que torna o delivery próprio viável de verdade. Teste 7 dias grátis, sem cartão.
Perguntas frequentes
- Vale mais a pena entrega própria ou iFood?
- Depende do volume. Com comissões de 23–30% por pedido, existe um ponto — tipicamente a partir de algumas dezenas de pedidos por dia — em que a soma de motoboy próprio, ferramentas e canal direto fica mais barata do que a comissão da plataforma. O artigo mostra a conta completa para você aplicar aos seus números.
- Quanto o iFood cobra por pedido?
- No plano com entrega da plataforma, a comissão fica em torno de 23–30% por pedido, além de mensalidade e taxa sobre o pagamento online. Em um tíquete de R$ 60, isso significa R$ 14–18 que não chegam ao caixa do restaurante.
- O que é preciso para montar uma entrega própria?
- Um canal de pedidos (WhatsApp, site ou app local), entregadores (próprios ou por corrida) e uma forma de organizar as rotas e dar rastreamento ao cliente — função que um roteirizador resolve. É essa última peça operacional que costuma travar a migração, não o marketing.
- Dá para usar iFood e entrega própria ao mesmo tempo?
- Sim, e é o caminho mais comum: manter a plataforma como vitrine para clientes novos e migrar os recorrentes para o canal próprio, onde a margem por pedido é maior. A operação de entrega é a mesma — o que muda é por onde o pedido entra.
