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Gestão de Entregas4 min de leitura

Delivery próprio vs. iFood: a conta real

Vale a pena ter delivery próprio ou depender do iFood? Fizemos a conta real — comissão, taxa de entrega, frota e ferramentas — para mostrar em que ponto o delivery próprio passa a compensar de verdade.

Equipe OtimizaRota

Equipe OtimizaRota

28 de maio de 2026

Delivery próprio vs. iFood: a conta real

"O iFood leva quase 30% do meu pedido, mas se eu sair, perco os clientes." É o dilema mais comum de quem vende comida ou produto com entrega no Brasil. E ele quase sempre é debatido no achismo. Então vamos fazer o que quase ninguém faz: a conta real, com números, dos dois lados.

Neste artigo você vai ver quanto custa depender do iFood, quanto custa montar o delivery próprio e — o mais importante — o ponto em que a balança vira. Sem torcida: com planilha.

O que o iFood realmente cobra

A conta do iFood não é só a comissão. Somando o que aparece na fatura, o custo por pedido costuma ter:

  • Comissão sobre o pedido — na faixa de 12% a 30%, dependendo do plano (com ou sem entrega pela frota deles).
  • Taxa de entrega quando você usa a logística da plataforma.
  • Taxa de pagamento online sobre o valor transacionado.
  • Investimento em destaque/anúncios para não sumir na busca.

Num pedido médio de R$ 60, não é raro o custo total ficar entre R$ 12 e R$ 20 — ou seja, 20% a 33% do ticket indo embora antes de pagar o produto.

O que o delivery próprio realmente custa

Do outro lado, o delivery próprio não é de graça — e fingir que é seria desonesto. Os custos reais:

  • Entregador (CLT, freela ou por entrega).
  • Veículo — combustível, manutenção, depreciação.
  • Ferramenta de roteirização e rastreamento para não virar caos.
  • Seu tempo organizando as rotas (a menos que uma ferramenta faça).

O bloco de veículo + entregador você calcula com o guia de quanto custa uma entrega. No exemplo de lá, uma entrega saía por volta de R$ 13,60.

A conta lado a lado

Vamos comparar os dois no mesmo pedido de R$ 60, num cenário realista de operação com volume:

Item Via iFood Delivery próprio
Comissão / taxas da plataforma R$ 15,00 (25%) R$ 0
Custo de entrega (veículo + tempo) incluso na taxa R$ 13,60
Ferramenta (rateada por pedido) R$ 0 ~R$ 0,50
Custo total do pedido R$ 15,00 R$ 14,10
Sobra sobre o frete/comissão ~R$ 0,90/pedido

À primeira vista, empata. Mas é aqui que a análise rasa engana — porque os dois lados não entregam a mesma coisa.

O que a conta simples não mostra

Três fatores mudam o resultado de verdade:

1. Densidade de entrega

No iFood, cada pedido é uma entrega isolada. No delivery próprio bem roteirizado, um motoboy leva várias entregas na mesma saída — e o custo de R$ 13,60 se dilui. Com 3 entregas por rota, o custo por pedido despenca. É exatamente o efeito da roteirização: a mesma volta, mais entregas.

2. O dono do cliente

No iFood, o cliente é da plataforma. Você não tem o contato, não faz remarketing, não fideliza direto. No delivery próprio, o cliente é seu — e o custo de recomprar cai a cada pedido.

3. A dependência

Depender 100% de uma plataforma é risco. Preço de comissão sobe, regra muda, e você não tem alternativa. Foi sobre isso que escrevemos você não está preso no iFood, está preso na roteirização.

Então, quando o delivery próprio compensa?

Pela conta real, o delivery próprio vira a escolha melhor quando:

  • Você tem volume e densidade — pedidos suficientes para agrupar entregas por região.
  • Consegue roteirizar para colocar 2, 3 ou mais entregas por rota.
  • Quer ser dono da relação com o cliente e reduzir a dependência.

E o iFood continua fazendo sentido como canal de aquisição — para ser achado por quem ainda não te conhece. A resposta madura raramente é "8 ou 80": é usar o iFood para captar e o delivery próprio para os clientes recorrentes, onde a margem mora.

Resumo

Na conta simples de um pedido isolado, iFood e delivery próprio quase empatam. A diferença aparece na densidade (várias entregas por rota derrubam o custo próprio), na posse do cliente e na redução de dependência. Quem tem volume e roteiriza bem faz o delivery próprio compensar — sem precisar abandonar o iFood, mas deixando de ser refém dele.


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