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Gestão de Entregas10 min de leitura

Métricas de delivery: os 6 números que definem sua margem

Custo por entrega, tempo médio, taxa de atraso: os 6 KPIs de delivery com benchmarks do Brasil, fórmula de cálculo e o que fazer quando o número piora.

Equipe OtimizaRota

19 de agosto de 2026

Métricas de delivery: os 6 números que definem sua margem

Responde de cabeça: quanto custou, em reais, cada entrega que saiu da sua cozinha no mês passado? Se veio silêncio, você não está sozinho — a maioria das operações de delivery no Brasil roda sem medir a parte mais cara do próprio negócio.

As métricas de delivery que realmente importam são seis:

  1. Custo por entrega — benchmark: R$ 8 a R$ 14 no delivery próprio
  2. Tempo médio de entrega — competitivo: abaixo de 45 minutos do pedido à porta
  3. Taxa de atraso — aceitável: menos de 8% dos pedidos
  4. Utilização do motoboy — ideal: 80% a 85% do tempo pago em rota
  5. Km rodados por entrega — roteirização boa corta de 15% a 30%
  6. Entregas por motoboy por hora — referência: 2 a 3 nos picos

Neste artigo, cada uma delas vem com fórmula de cálculo, o benchmark do Brasil e o que fazer quando o número sai do lugar.

Por que acompanhar KPIs de delivery no restaurante

Quem depende 100% de plataforma terceiriza a logística e a dor de cabeça — mas entrega junto de 23% a 30% de cada pedido. Operações com delivery próprio bem gerido trabalham com margem 12% a 20% maior do que as que dependem totalmente de marketplace. A conta completa dessa comparação está em delivery próprio vs iFood.

O detalhe que quase ninguém fala: essa margem extra não vem de graça. Ela existe se a operação própria for eficiente. Um delivery próprio mal medido consegue custar mais caro que a comissão da plataforma, e o dono só descobre no fechamento do trimestre.

Para uma dark kitchen o efeito é multiplicado. Três marcas saindo da mesma cozinha, frota compartilhada, pico do almoço com pedido pingando de iFood, WhatsApp e site próprio ao mesmo tempo. Sem número, é impossível saber qual marca dá lucro na entrega e qual está sendo subsidiada pelas outras.

A boa notícia: seis métricas de delivery cobrem quase tudo, e nenhuma exige software caro para começar a medir. Vamos a elas.

Os 6 KPIs de delivery com benchmarks do Brasil

1. Custo por entrega: como calcular

O número-mãe. Se você só puder acompanhar um, é este.

Fórmula: some tudo o que a operação de entrega consome no mês — pagamento dos entregadores (diária, por entrega ou CLT), combustível, manutenção, depreciação dos veículos e os fixos rateados (sistema, seguro, bag, suporte) — e divida pelo número de entregas concluídas.

Benchmark Brasil: entre R$ 8 e R$ 14 por entrega no delivery próprio. Abaixo de R$ 8, ou sua operação é muito densa (muitos pedidos num raio curto), ou tem custo escondido fora da conta — depreciação e tempo do entregador são os esquecidos clássicos. A anatomia completa dessa conta está em quanto custa uma entrega.

Se o número está ruim: antes de cortar qualquer coisa, abra o custo em duas partes — quanto é gente e quanto é veículo. Aquele cenário clássico de "meu custo por entrega subiu 18% e não sei por quê" quase nunca é o combustível. Na maioria das vezes é o denominador: o volume de pedidos caiu e a frota fixa continuou do mesmo tamanho, então o custo da ociosidade se espalhou pelas entregas restantes. A calculadora de custo por entrega faz essa decomposição com os seus números e mostra onde está o peso.

2. Tempo médio de entrega: benchmark competitivo

Do clique do cliente até a porta. Não vale medir só o trecho da rota — o cliente não separa preparo de deslocamento, ele vê um prazo de entrega só.

Fórmula: soma do tempo pedido→porta de todos os pedidos ÷ número de pedidos. Meça em três blocos: preparo (pedido→pronto), despacho (pronto→saiu) e rota (saiu→entregue).

Benchmark Brasil: abaixo de 45 minutos é competitivo. E acompanhe também o P90 — o tempo dentro do qual 90% dos pedidos chegam. Uma média de 38 minutos esconde tranquilamente uma cauda de pedidos de 70 minutos, e é a cauda que gera avaliação de 1 estrela, não a média.

Se o número está ruim: o bloco de despacho é o vilão silencioso. Pedido pronto esfriando no balcão porque o motoboy ainda não voltou é sintoma de escala ou de agrupamento errado — e aparece antes na sexta à noite, quando o volume dobra. Se preparo e despacho estão saudáveis e a rota estoura, o problema é roteiro: entregas na ordem errada, zig-zag pela cidade.

3. Taxa de atraso no delivery

Atraso não é "demorou muito". Atraso é chegou depois do que você prometeu. Um pedido de 50 minutos com promessa de 60 está no prazo; um de 35 com promessa de 30 está atrasado. A métrica mede sua capacidade de cumprir a própria palavra.

Fórmula: pedidos entregues após o prazo prometido ÷ total de pedidos × 100.

Benchmark Brasil: menos de 8%. Acima disso, o estrago é composto: cliente que recebe atrasado uma vez pede de novo com desconfiança; na segunda, não pede.

Se o número está ruim: olhe primeiro para a promessa, não para a rua. Muita operação promete 40 minutos para toda a área de atendimento, sendo que o bairro mais distante fica a 9 km. Prazo por zona resolve metade do problema sem mudar nada na rua. A outra metade é operacional: folga de escala nos picos e um plano B para chuva — o dia em que o tempo de rota sobe 30% e a demanda sobe junto.

4. Utilização do motoboy

De todo o tempo que você paga, quanto o entregador passa efetivamente em rota? Esse é o número que diz se você está pagando gente parada ou queimando a equipe.

Fórmula: tempo em rota ÷ tempo total pago × 100.

Benchmark Brasil: 80% a 85%. E aqui o "quanto mais, melhor" não vale. Acima de 90%, a operação está sem folga nenhuma: qualquer imprevisto — pneu furado, pedido que atrasou na cozinha, chuva — vira atraso em cascata, porque não existe capacidade ociosa para absorver. Abaixo de 60%, você está pagando diária para motoboy olhar o celular no balcão.

Se o número está ruim: o problema raramente é o entregador — é a distribuição. Um motoboy voltando de rota vazia enquanto outro sai com três pedidos para a mesma direção é dinheiro rasgado. O critério para equilibrar isso está em como dividir entregas entre entregadores.

5. Km rodados por entrega

Cada quilômetro carrega combustível, manutenção, depreciação e tempo. Numa dark kitchen com margem apertada, km desperdiçado é margem indo embora em silêncio — todo dia, em cada rota.

Fórmula: km rodados no período ÷ entregas concluídas. O km vem do odômetro, do app de rastreamento ou do histórico do sistema.

Benchmark: aqui o valor absoluto depende da sua cidade e do seu raio, então o benchmark é de melhoria: uma roteirização bem feita reduz os km rodados em 15% a 30% em relação à rota montada na intuição. Se você nunca otimizou rota, esse percentual está na mesa agora.

Se o número está ruim: dois suspeitos. Km morto — trajeto de volta vazio, desvio para buscar pedido em outra unidade — e sequência ruim, aquela rota que passa duas vezes pela mesma avenida. Roteirização ataca os dois de uma vez, e o efeito no bolso aparece primeiro na bomba: reduzir o custo de combustível na entrega começa por rodar menos, não por abastecer mais barato.

6. Entregas por motoboy por hora

A métrica-resumo da produtividade. Ela deriva das anteriores: se a promessa é de até 45 minutos e o despacho agrupa 2 ou 3 pedidos da mesma direção por saída, a matemática fecha em 2 a 3 entregas por motoboy por hora nos picos.

Fórmula: entregas concluídas ÷ horas pagas de motoboy no período.

Benchmark Brasil: 2 a 3 por hora nos horários de pico, em operação urbana com raio de 5 a 8 km. Abaixo de 1,5, acende o alerta: ou o despacho está mandando o motoboy com um pedido só, ou o raio de atendimento é grande demais para a frota que você tem.

Se o número está ruim: cruze com a utilização (métrica 4). Utilização alta com poucas entregas por hora significa motoboy rodando muito e entregando pouco — problema de rota e agrupamento. Utilização baixa com poucas entregas por hora é excesso de frota para a demanda — problema de escala.

Os benchmarks num quadro só

Métrica Fórmula Benchmark Brasil
Custo por entrega custos totais da entrega ÷ nº de entregas R$ 8–14 (delivery próprio)
Tempo médio de entrega soma pedido→porta ÷ nº de pedidos < 45 min
Taxa de atraso entregues após o prazo ÷ total × 100 < 8%
Utilização do motoboy tempo em rota ÷ tempo pago × 100 80–85%
Km por entrega km rodados ÷ entregas redução de 15–30% com roteirização
Entregas por motoboy/hora entregas ÷ horas pagas 2–3 no pico

Como medir o seu desempenho a partir desta semana

Não precisa de sistema para começar — precisa de sete dias de anotação honesta. O mínimo viável:

  1. Timestamps por pedido: hora do pedido, saiu para entrega, entregue. iFood e similares já registram; para WhatsApp e balcão, anote no despacho.
  2. Km por dia: foto do odômetro no início e no fim do turno de cada moto.
  3. Horas pagas: escala real de cada entregador, não a planejada.
  4. Custo do mês: diárias/repasses, combustível, manutenção e os fixos da entrega.

Com esses quatro registros, as seis métricas saem de uma planilha simples. Rode uma semana normal — sem promoção, sem feriado — e compare com a tabela acima. O primeiro número fora do benchmark é o seu projeto do mês.

Uma armadilha comum: medir só a semana boa. Chuva e sexta à noite fazem parte da operação; se o seu prazo de entrega só fecha com sol e demanda baixa, ele não fecha.

Os números conversam entre si

Olhando de perto, as seis métricas de delivery são uma corrente: km por entrega alto puxa o custo para cima; utilização mal distribuída estica o tempo médio; tempo médio estourado vira taxa de atraso. O custo por entrega, no fim, é o placar de tudo isso — quando ele sobe, a causa quase sempre está três métricas antes.

E a corrente inteira passa pelo roteiro. É por isso que roteirização costuma ser a alavanca mais barata: uma rota 20% mais curta derruba km, aumenta entregas por hora e devolve folga para a escala — ao mesmo tempo, sem cortar ninguém.

Comece pelo número-mãe: coloque seus dados na calculadora de custo por entrega e veja onde você está em relação ao benchmark. Se o resultado mostrar que a rota é o gargalo, o OtimizaRota roteiriza suas entregas e registra esses seis números automaticamente, venha o pedido do iFood, do WhatsApp ou do site próprio — teste 7 dias grátis, sem cartão.


O OtimizaRota mostra em relatórios o km rodado, o tempo de rota e as entregas por motoboy — as métricas deste artigo, sem planilha.

Perguntas frequentes

Quais são as métricas de delivery mais importantes?
Seis números cobrem quase toda a operação: custo por entrega (benchmark: R$ 8 a R$ 14 no delivery próprio), tempo médio de entrega (competitivo: abaixo de 45 minutos do pedido à porta), taxa de atraso (aceitável: menos de 8% dos pedidos), utilização do motoboy (ideal: 80% a 85% do tempo pago em rota), km rodados por entrega e entregas por motoboy por hora (referência: 2 a 3 nos horários de pico).
Como calcular o custo por entrega?
Some tudo o que a operação de entrega consome no mês — pagamento dos entregadores, combustível, manutenção e depreciação dos veículos, mais os custos fixos rateados (sistema, seguro, bag) — e divida pelo número de entregas concluídas no mesmo período. No delivery próprio brasileiro, o resultado costuma ficar entre R$ 8 e R$ 14 por entrega.
Qual é um bom tempo médio de entrega para restaurante?
Abaixo de 45 minutos do pedido à porta do cliente é considerado competitivo no delivery brasileiro. O tempo total se divide em preparo, despacho (pedido pronto esperando motoboy) e rota. Além da média, vale acompanhar o P90: o tempo dentro do qual 90% dos pedidos chegam, porque é ele que gera reclamação.
Qual taxa de atraso é aceitável no delivery?
Menos de 8% dos pedidos entregues depois do prazo prometido. Acima disso, a operação começa a perder cliente recorrente. As causas mais comuns são promessa de prazo igual para zonas de distância diferentes, falta de folga na escala nos picos e rotas montadas na intuição em vez de roteirizadas.
Quantas entregas por hora um motoboy consegue fazer?
Numa operação urbana com raio de 5 a 8 km e agrupamento de pedidos, a referência é 2 a 3 entregas por motoboy por hora nos horários de pico. Abaixo de 1,5 por hora, o problema costuma estar no despacho (motoboy saindo com um pedido só) ou no raio de atendimento grande demais para a frota.